Arte no Hospital renova sala da Cirurgia Pediátrica

terça-feira, 21 junho 2022 11:18

As crianças operadas no Serviço de Cirurgia Pediátrica do CHULN têm a partir desta semana à sua espera uma totalmente renovada e muito especial sala de ambulatório no Hospital de Santa Maria. O projeto "Arte no Hospital", do CurArte, o grupo de artes da AEFML - Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina de Lisboa, levou os ambientes e as ilustrações do conto ‘A Menina do Mar’, de Sophia de Mello Breyner Andresen, ao espaço que acolhe as nossas crianças. Um trabalho de amor realizado pelos estudantes durante 48 horas, repartidas por cinco dias da semana passada. Intervenção que contou com o apoio da CIN, que solidariamente doou os materiais para esta obra que responde ao empenho dos profissionais da Cirurgia Pediátrica e da sua diretora, Miroslava Gonçalves, e traz mais conforto aos principais protagonistas desta história: as crianças e famílias acompanhadas no Hospital de Santa Maria.

“A Arte no Hospital deu o seu primeiro grande passo em direção a um hospital mais humano e próximo de quem cuida!”. Pedro Fava, estudante da Faculdade de Medicina da Universidade e um dos dinamizadores do projeto, recorda o caminho de seis meses de preparação com dez artistas, estudantes de medicina e não só, até chegar a este dia especial. “Muito se passou pelo caminho, conhecemos pessoas incríveis e enfrentámos obstáculos. A verdade é que nunca nos faltou motivação para levar a Arte a estas crianças e bebés que a partir de agora têm uma sala repleta de um imaginário marinho inspirado no conto de Sophia”.

Uma intervenção realizada no terreno com “uma equipa fenomenal de sete artistas, que se juntaram a nós - a Sofia Pessoa Jorge, Luísa Proença de Carvalho, Alice Vieira, Ana Crucho, Capi, a Maria Regina da Silva e a Sofia Morgado”, faz questão de sublinhar Francisca Borges, outra das principais responsáveis pelo projeto. “Cada pormenor da sala teve várias mãos”, enumera: “A Luisinha projetou umas algas por baixo das janelas. A Sojo pegou no projeto da Luisinha e pintou-as na sala. A Francisca pegou nas algas brancas da Sojo e pintou a sua nervura noutros tons. A Alice pintou um cardume no teto. O Pedro olhou para cima e subiu o escadote, foi pintar uns olhinhos a cada peixe. E assim foi com cada elemento da sala, uma união de visões, uma partilha de opiniões, conselhos”.

Um trabalho de dedicação e minúcia que concretizou a ambição da direção do serviço de humanizar o ambiente da sala de pré-operatório, como realçou Miroslava Gonçalves. E um projeto que mereceu rasgados elogios do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, que, pela voz do seu presidente, Daniel Ferro, destaca a importância destas intervenções, que fazem a diferença no bem-estar dos utentes e dos profissionais.

“No último dia, reunidos na sala, não foram precisas palavras”, sintetiza Francisca. “Sabemos que cada um de nós partiu daqui com uma alegria, uma surpresa perante o que construímos, um sentir de missão cumprida”.